Sobre a Teoria Sistêmica

Escolhemos formar nossos estudantes com base nos conhecimentos da Teoria Sistêmica Pós-moderna, que valoriza e reconhece a pessoa do Terapeuta e toda a sua experiência de vida, que irá facilitar que ele participe das histórias de seus clientes de uma forma a incentivar o novo, evitando os roteiros rígidos e pré-estabelecidos e promovendo a simetria entre cliente e terapeuta.

ARVORE FEITA COM A AMOA DAS CRIANÇASAntes de 1950

O meio psicoterapêutico era psicanalítico. Os terapeutas atuavam com enquadre, técnica, referencial teórico e postura de acordo com as propostas da psicanálise. Algumas outras linhas teóricas começavam a se organizar, mas não tinham o “referendum” da comunidade científica.

Os psicoterapeutas que atuavam com pacientes esquizofrênicos, iniciam um movimento de avaliar a possibilidade de atuar trazendo as famílias para as sessões.

O foco do trabalho é a compreensão do intrapsíquico dos elementos da família no desenvolvimento da doença.

Em torno de 1950

Já se sabe da importância das relações familiares no desencadeamento e melhora das crises psicóticas. A Teoria Cibernética está em franco desenvolvimento influenciando todas as áreas de atuação. Fortalece-se a prática de realizar sessões com toda a família do paciente.

Os terapeutas esforçam-se para integrar o modelo psicanalítico às novas necessidades e à nova compreensão dos sistemas.

Representantes: James Framo, Ivan Bozomeri-Nagy

Primeira Cibernética e Teoria Geral dos Sistemas (Década de 60)

Entusiasmo dos terapeutas de família pela Teoria Geral dos Sistemas. Desenvolvimento de uma Teoria Sistêmica das Famílias, e de Técnicas apropriadas para esse novo enfoque.

O Terapeuta é um experimentador que sabe como um sistema funciona e “de fora” desenvolve estratégias para auxiliar este sistema a se reorganizar. O cliente é uma caixa negra que pode ser observada e operada de fora.

Nova compreensão da função do sintoma; conceito de Paciente Identificado. Passa a existir a Terapia Sistêmica, que durante muito tempo é sinônimo de Terapia Familiar.

Representantes: Terapia Estrutural da Família, Minuchin; Terapia Estratégica, Haley; Grupo de Milão, Palazzoli.

 Segunda Cibernética (Década de 70):

O desenvolvimento da prática clínica, das pesquisas e das formulações teóricas levou os Terapeutas sistêmicos a se aperceberem da importância e da influência da presença do terapeuta na sessão. Isso leva a grandes reformulações na concepção das sessões terapêuticas bem como no desenvolvimento do movimento de Terapia Familiar.

O terapeuta é incorporado ao sistema e fica vedada toda desconexão do circuito integrado pelo terapeuta e o cliente.

Terapia sistêmica passa a ser uma postura terapêutica e não um arsenal de técnica e experimentação. Deixa-se o conceito de Paciente Identificado e se compreende o problema como a família em dificuldades.

Foco na importância do “ser” do terapeuta.

Representantes: Whitaker, Andolfi, Mony, Sluzki, Cecchin, Michel White; Maturana e Varela.

 

Práticas Pós Modernas (década 80 até dias atuais)

Entendemos por pós modernas as práticas que compartilham de preceitos em comum:

Humildade: o terapeuta se coloca humilde no encontro com seu cliente, ele reconhece e valoriza o conhecimento da pessoa sobre sua vida, seu problema e sua potencialidade, ao mesmo tempo reconhece seu conhecimento em criar um espaço para uma relação que promova criatividade para a solução e dissolução de dificuldades. No encontro terapeutico entendemos terapeuta e cliente como seres humanos, ambos com seus conhecimentos e especialidades a serem compartilhadas na conversação.

Ser público: o terapeuta coloca com transparência e objetividade seus pensamentos sobre a historia do cliente, ,com o objetivo de convida-lo à consttrução dos recursos para a dissolução de dificuldades e na esperança de oferecer um modelo para o cliente agregar aos seus processos de diálogo sobre seus problemas.

Simetria: terapeuta, cliente, familiares, sociedade, todos trabalham em simetria na construção e descontrução das nossas realidades cotidianas, todos os participantes são recoonhecidos como importantes nos processos de terapia.

Responsabilidade relacional: deixamos o paradigma individualista, inttrapsiquico, para voltarmos nosso foco para a relação, aquilo que acontece entre as pessoas. Dessa forma não há lugar para a culpa, cada ennvolvido é responsavel relacionalmente pelo mundo construído, assim nos tornamos capazes de participar da transformação desse mundo.

Foco na linguagem: não nos engajamos em investigar um mundo objetivo, ou em verdades universais. Nos interessamos por como as pessoas se engajam umas as outras em relacionamentos que constroem um acordo comunal de realidade. Isso não significa que negamos a existência do mundo, mas nos importa mais como as pessoas nomeiam e entendem esse mundo a partir das relações em que tais conceitos ganham sentido, através de processos linguísticos.

Self Relacional: a partir dedssa mudança do paradigma individualista para o relacional passamos a entender o self em eterno desenvolvimento. A cada novo relacionamento, a cada encontro, a pessoa atualiza e enriquece seu self. Em diferentes relações os recursos para se posicionar com o outro, em ordem a alcançar o relacionamento, se diferenciam, dessa forma nosso self se complexibiliza, se torna multifacetado, ouo polivocal, nas palavras de Telma Lenzi: desenvolvemos Personagens Internos que se manifestam nas diferentes relações que estabelecemos, eles são parte de nós, a aparecem em diferentes contextos para melhor nos adequarmos as relações.

Representantes: Harlene Anderson, Ken Gergen, Sheila McNamee, Tom Andersen, Michel White, David Epston, Marilene Grandesso, Telma Lenzi.

Perguntas Frequentes

1) Onde surgiu a Teoria Sistêmica?

A Teoria Sistêmica surgiu nas décadas de 40 e 50, chegando ao Brasil na década de 70. Tem suas origens na Física a partir do pensamento sistêmico o qual entende o mundo em constante inter-relação, onde estamos influenciando e sendo influenciados a todo o momento por tudo que nos rodeia (família, sociedade, trabalho, meio ambiente, etc), direta ou indiretamente. A proposta é olhar para as relações (mundo externo), bem como a forma que as pessoas se colocam nelas (mundo interno).

2) Qual base epistemológica?

A visão de mundo é holística onde o universo é uma rede de inter-relações, no qual nada existe se não em relação. Desse modo, o homem é parte desta rede que está em constante mudança.

A objetividade é considerada relativa. Desta forma, abre-se mão de verdades absolutas, e as verdades passam a existir de acordo com a visão de cada pessoa.

Não havendo uma objetividade, o que vemos ou fazemos é construído com outros, na linguagem, a partir de nosso ponto de vista. Esta concepção ética consiste em legitimar a existência do outro e a responsabilidade pelo agir e interagir com ele. O mundo é o mundo que criamos com o outro, e não o “MUNDO”. Refletir sobre a ação com o outro é o centro da “Ética Sistêmica”.

Essa Teoria, quando utilizada no campo da psicologia, propicia o pleno desenvolvimento dos processos grupais, de famílias, de casais e de pessoas. Por outro lado, quando aplicada no dia-a-dia causa uma significativa mudança de epistemologia, forma de pensar e consequentemente agir, e substancial aumento na qualidade de vida.

3) Quais são os autores principais?

Pioneiros: Jay Haley, Carl A. Whitaker, Gregory Bateson, Paul Watzlawick, Virgínia Satir, Cloé Madanes.

Contemporâneos: Salvador Minuchin, Mara Palazzoli, Maurizio Andolfi, Mony Elkaïm, Carlos Slusky, Gianfranco Cecchin, Luigi Boscolo, Michael White, Monica McGoldrick, Edith Tilmans-Ostyn, Evan Imber-Black, Betty Carter, Tom Andersen, Humberto Maturana, Marcelo Pakman, David Epston, Harlene Anderson, H. Goolishian.

Brasileiros: Marilene Grandesso, Maria José Esteves de Vasconcellos, Rosana Rapizo, Gladis Brunn.

4) Quais as áreas de aplicação?

As áreas de atuação desta teoria são todas as que envolvem pessoas e suas relações: empresas, escolas, organizações de grupos, famílias, casais e indivíduos em geral.

5) Como saber mais sobre a Teoria Sistêmica?

Livros: 

CAPRA, Fritjof. A teia da vida: uma compreensão científica dos sistemas vivos. São Paulo: Editora Cultrix, 2000.

RAPIZO, Rosana. Terapia sistêmica de família: da instrução à construção. Rio de Janeiro: Instituto NOOS, 1996.

VASCONCELLOS, Maria José Esteves de. Terapia familiar sistêmica: bases cibernéticas. São Paulo: Editorial Psy, 1995. 

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